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Na contemporaneidade, a crise climática expõe as desigualdades sociais e a insustentabilidade de viver em uma sociedade onde as relações entre propriedade, trabalho, consumo e recursos estão desconectadas do espírito coletivo da existência humana, configurando-se também como uma crise humanitária. Nesse cenário, as comunidades se destacam como espaços onde vidas se conectam, gerando narrativas de resistência e provocando reflexões sobre a ligação entre as experiências individuais e as dinâmicas coletivas diante dos desafios da vida rural e urbana contemporânea. Nas áreas rurais, observa-se a constante ameaça às moradias devido à expansão do setor agrícola e pecuário, à contaminação do solo, águas e à escassez de alimentos saudáveis. Nas áreas urbanas, a busca pelo lucro sobrepõe-se ao bem-estar coletivo, gerando desigualdades no acesso a recursos fundamentais, como saneamento básico e educação.

Diante disso, confrontamo-nos com as consequências do sistema capitalista, que amplifica as disparidades sociais. Esse cenário contribui para a desintegração dos laços comunitários, efetuando uma mentalidade individualista que compromete a solidariedade necessária para enfrentar desafios comuns. Tal realidade impulsiona os processos de verticalização nas áreas urbanas, motivando transformações que afetam a mobilidade e resultam em elementos como a gentrificação, provocando a expulsão e marginalização de grupos mais vulneráveis. Originam-se, assim, processos discriminatórios classificados como Racismo Ambiental, um fenômeno complexo em que populações racializadas sofrem desproporcionalmente com os impactos negativos do degradante relacionamento humano com o meio ambiente.

Ao compreender o Racismo Ambiental, percebemos as intersecções entre raça, classe e meio ambiente, o que nos auxilia na busca de soluções sustentáveis para as comunidades mais afetadas pelas condições climáticas adversas, situadas em regiões negligenciadas pelo Estado. Esse contexto tem raízes profundas, começando com a promulgação da Lei de Terras de 1850, um marco relevante na política brasileira do século XIX que fortaleceu a influência dos grandes proprietários de terra, assegurando privilégios aos europeus e seus descendentes. Essa legislação, que precedeu a abolição da escravidão, foi promulgada após a implementação da Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico de pessoas escravizadas para o Brasil, contribuiu para a exclusão da população negra do acesso à terra, elemento crucial para sua autonomia e bem-estar.

Posteriormente, a falta de uma Reforma Agrária no país ganhou relevância, e quando houve tentativas nesse sentido, ocorreu o golpe em 1964. Em resposta a essa situação, surgiram organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que lutam pelos direitos básicos das comunidades rurais e defendem uma distribuição mais justa e igualitária das terras. Adicionalmente, Associações, Alianças e Coalizões de comunidades quilombolas e povos originários reivindicam a regularização através da demarcação e titulação de terras – direito territorial reconhecido pela Constituição Federal – que segue estagnada pelo excesso de burocracia.

Em meio a essas adversidades, há outras formas de organização social que resistem historicamente nas aldeias, quilombos, coletividades religiosas e culturais. Essas comunidades baseiam seus princípios nas filosofias milenares dos povos originários da América e África, destacando valores como solidariedade e bem viver coletivo. Um exemplo é o Ubuntu, uma filosofia africana que enfatiza o pertencimento, a participação e o compartilhamento da definição de comunidade, destacando a interdependência e complementaridade característicos à condição humana.

Assim, ao analisarmos o panorama das comunidades, somos instigados a compreender e agir. Reconhecendo o papel delas na restauração dos ecossistemas, nos mostra que, quando a individualidade cede espaço à coletividade, torna-se uma força transformadora capaz de superar adversidades e construir um futuro mais digno e inclusivo para todos.

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