Associação Copaíba recebe grupo vencedor da Restaura Natureza 2022


4 de setembro de 2022

O grupo escolar Sauins Protetores conheceu de perto, em agosto, o trabalho da Associação Ambientalista Copaíba e o programa Raízes de Mogi, na região de Socorro (SP). A visita fez parte da viagem de premiação da 1ª Restaura Natureza – Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas, competição colaborativa escolar alinhada à Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021-2030), realizada pelo WWF-Brasil e organizada pela Quero na Escola. 

Grupo Sauins Protetores visitou a de Associação Ambientalista Copaíba, em Socorro (SP), em agosto. Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Os cinco estudantes do grupo Sauins Protetores, da Escola Municipal Professora Tereza Cordovil, viajaram com seus responsáveis de Manaus (AM) para São Paulo para uma experiência de aprendizado, intercâmbio de conhecimento e inspiração. Depois de desfrutar de um dia de lazer em São Paulo e da visita à sede da Mauricio de Sousa Produções, o grupo foi de ônibus para Socorro, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista, e não perdeu o humor apesar do caminho cheio de curvas acentuadas.

Eloah Cecilia Moraes de Souza, de 12 anos, Dafne Kelen Monteiro da Silva, de 12 anos, Luam Marcelo Camara Rodrigues, de 12 anos, Maria Eduarda Lucena Viana, de 13 anos, e Arnaldo Ferreira Palheta, de 15 anos, coordenados pela professora Christinne Matos Marcos, desenvolveram o projeto vencedor de restauração, de uma área do Igarapé do Gigante, na capital do Amazonas. Em Socorro (SP), eles puderam trocar experiências com a equipe empenhada em outro projeto de restauração, mas em outro bioma brasileiro, a Mata Atlântica, que tem apenas 12% de sua floresta original preservada.

Os estudantes conheceram áreas restauradas pela Associação Copaíba no programa Raízes do Mogi Guaçu, parceria entre WWF-Brasil e International Paper, que tem como premissa mobilizar atores desta bacia (ONGs, empresas, governo, instituto de pesquisa) para restaurar áreas florestais degradadas. Em um veículo puxado por um trator, com tração para enfrentar o terreno íngreme e esburacado, o grupo conheceu pessoalmente trechos de restauração florestal nos Hotéis Rede dos Sonhos, e na Fazenda Fronteira, produtora de café.

Estudantes de Manaus conheceram áreas restauradas pela Associação Copaíba, em parceria com o WWF-Brasil. Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Uma das fundadoras da Copaíba, Flávia Balderi, acompanhou pessoalmente o grupo para explicar, em detalhes, o trabalho de restauração em uma área dos Hotéis Fazenda da Rede dos Sonhos, onde o grupo de Manaus ficou hospedado na sua visita à Socorro (SP). Ela explicou que primeiramente a Copaíba faz um estudo da área a ser restaurada, para definir quais espécies serão as usadas no plantio. “Tentamos nos inspirar nessa diversidade local para contemplar a variedade de espécies no projeto de restauração. Geralmente, trabalhamos com cerca de 60 espécies diferentes em uma área restaurada. Ao mesmo tempo, investimos naquelas plantas que crescem rápido para ajudar a sombrear a mata e evitar que capim domine o solo”, explica. O impacto positivo do trabalho duro surge conforme a cobertura vegetal retorna. “Quando a gente faz esse processo de recuperação florestal, está contribuindo não só com a fauna, mas com a nossa qualidade de vida, pois melhora a quantidade de qualidade de água, a temperatura, a qualidade do ar”, disse Flávia.

Mas não basta plantar, é preciso fazer um trabalho de manutenção que exige dedicação e comprometimento de atores envolvidos no projeto. “Um dos fatores de sucesso dos projetos de restauração é trabalhar com quem vai cuidar dessas áreas, que não podem ser esquecidas por pelo menos 3 anos. As responsabilidades de cada integrante do projeto devem estar claras”, explica Daniel Venturi, líder do Programa Raízes do Mogi Guaçu, do WWF-Brasil, que acompanhou o Sauins Protetores na visita a campo. Venturi reconhece a atenção e dedicação ao projeto de José Fernandes Franco, diretor-geral dos Hotéis Fazenda da Rede dos Sonhos. Franco idealizou na década de 1990 uma área de turismo que fosse inclusiva e integrada à natureza e hoje é responsável por uma estrutura de lazer de aventura e ecoturismo que inclui quatro hotéis. O Sauins Protetores ficou hospedado no Hotel Fazenda Parque dos Sonhos, o que permitiu aos estudantes ter momentos de diversão na tirolesa – e gritar bastante na descida.

Diversão nas alturas: estudantes vencedores da olimpíada andaram de tirolesa do Parque dos Sonhos, em Socorro (SP). Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Na área em que a Copaíba está trabalhando, Franco observa que a restauração não é fácil, já que há muitas formigas que atrapalham o processo e falta de mão de obra para atuar no campo. Ele considera fundamental para o sucesso do seu negócio e bem-estar da população. “As águas que passam pela nossa propriedade precisam sair ainda mais limpas do que quando entraram. É um cuidado importante, pois as pessoas querem descansar e se divertir em um lugar que preserve a natureza”, disse Franco.

Outra área de restauração visitada pelo grupo foi na Fazenda Fronteira, produtora de café. Ellen Fontana, proprietária da fazenda, abriu as portas de casa para servir um lanche com delícias caseiras produzidas na região e acompanhou o grupo na caminhada de reconhecimento do projeto. “Os cafeicultores da região entendem que preservar e restaurar faz bem para a produção e para as pessoas”, afirma Ellen, que pertence à sexta geração da família que vive na fazenda desde 1860. Os alunos puderam ver pessoalmente a mata restaurada ao redor de um lago dentro da propriedade, que sofria com o assoreamento e agora serve de corredor ecológico entre “ilhas” de Mata Atlântica.

Áreas de Mata Atlântica preservada favorecem a produção de café, explicaram as técnicas da Associação Copaíba na visita à Fazenda Fronteira, em Socorro (SP). Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Conhecer os cafezais foi um dos pontos altos da viagem para Maria Eduarda Lucena Viana, a Duda, de 13 anos, que também curtiu muito andar de tirolesa na Rede dos Sonhos. “Restauração, para mim, é quando uma área poluída ou destruída volta a produzir frutos e animais. No que depender de mim, nosso Amazonas estará mais verdinho, mais bonito, pois vou levar essa mensagem para mais pessoas”, diz. Ela afirma que a Restaura Natureza fez ela descobrir o prazer do plantio. “Gosto de cuidar das árvores, fico um tempão mexendo na terra. Foi uma transformação, pois antes eu ficava muito tempo no celular e passei a almoçar correndo para voltar para a escola e participar das reuniões do Sauins.”

A coordenadora da Restaura Natureza e diretora da Engajamento do WWF-Brasil, Gabriela Yamaguchi, viajou com o Sauins Protetores e não escondeu o seu entusiasmo e emoção de acompanhar a vivência dos estudantes. “As crianças e a juventude têm muito a nos ensinar”, disse. Ela explica que concebeu as olimpíadas de forma a fortalecer as relações humanas, que promoverão movimentos coletivos de cuidado com a vida. “Colocar a comunidade escolar no centro é uma forma de promover essa transformação para uma sociedade mais justa e inclusiva e enfrentar os desafios da crise climática.”

Produção de mudas

Na visita à sede da Associação Associação Copaíba, os estudantes e seus acompanhantes conheceram a história da ONG fundada em 1999 por quatro jovens que sonhavam em restaurar a vegetação nativa na região. Atualmente, o trabalho da associação está presente em 19 municípios de SP e MG. Eles puderam ver de perto como é artesanal, trabalhosa e minuciosa a produção de mudas usadas nos projetos de restauração florestal. “Todas as mudas utilizadas nos projetos da Copaíba são produzidas por nós”, afirma Tatiana Terasin coordenadora de Educação Ambiental da Associação Copaíba, que acompanhou o grupo na visita à sede.

Tatiana falou sobre o processo de coleta das sementes, que são recolhidas manualmente por pessoas da equipe da Copaíba, que caminham muitos quilômetros para conseguir variedade, sem exagerar na quantidade, para não atrapalhar no processo de regeneração natural da vegetação. Em uma estufa, essas sementes são beneficiadas e colocadas para brotar em sementeiras com areia, para as sementes mais difíceis, ou em tubetes já com terra. “Aqui o ambiente é mais quentinho para que a semente tenha coragem de sair”, explica.

Em uma estufa, o ambiente mais quente ajuda as sementes a germinarem, explicou Tatiana Terasin aos Sauins Protetores, na visita à Associação Copaíba, em Socorro (SP). Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Depois de apresentar a estufa ao Sauins Protetores, Tatiana levou o grupo ao “telado”, uma área onde há quatro etapas com diferentes condições de luz, temperatura e umidade, controladas de acordo com o desenvolvimento das jovens plantas. “Algumas espécies ficam nessa área por cerca 1 ano, para poder sair para o espaço externo, o caso das caliandras, enquanto algumas espécies evoluem aqui em 3 meses e já estão prontas para sair, caso do jatobá”, diz Tatiana. Depois, as plantas vão para a área externa, para enfrentar o processo de “rustificação”, que é a adaptação da muda às condições do clima. “Quando passam por essa fase, estão prontas para irem para a natureza, serem plantadas no solo.”

Da esquerda para a direita: Arnaldo, Eloah, Dafne, Christinne, Luam e Maria Eduarda, integrantes do grupo Sauins Protetores, na sede da Associação Ambientalista Copaíba, em Socorro (SP). Foto: Leo Otero/WWF-Brasil

Integrante do Sauins Protetores, Eloah Cecilia Moraes de Souza, de 12 anos, disse que gostou de conhecer o trabalho da Copaíba porque está apaixonada pelas plantas. “Achei muito interessante ver como essas mulheres trabalham para fazer as árvores crescerem.” Quando entrou para a Restaura Natureza, convidada pela professora Christinne, Eloah não estava tão animada. Com o tempo, pegou gosto pela causa. “Eu me empolguei. Agora eu vejo a natureza de outro jeito. Vejo que restaurar é fazer do mundo um lugar melhor.”

Tatiana conduziu uma dinâmica para que o Sauins Protetores se planejasse para dar continuidade ao seu projeto de restauração do Igarapé do Gigante, em Manaus (AM). “Eles estão empolgados e engajados. É muito legal poder compartilhar conhecimento com pessoas para que elas se motivem a seguir em frente. Em nosso trabalho, queremos mostrar a crianças e adolescentes que todos podem contribuir e funcionar como dispersores de sementinhas”, disse.

A professora Christinne percebeu o interesse dos estudantes em  todas as etapa do processo de produção de mudas, demonstradas na visita à Copaíba. “Agora temos ideias novas, que vão dar um impulso para as próximas etapas do nosso projeto.”

Veja a seguir os vídeos do programa Raízes do Mogi:

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