Escola de Brasília comemora medalha de prata na olimpíada da restauração de ecossistemas


24 de outubro de 2022

Com um projeto de restauração em um parque em Brasília (DF), o grupo Sabiá-Barranco do cmdpii, do Colégio Militar Dom Pedro II, levou o 2º lugar na categoria Comissão Julgadora na 1ª edição da Restaura Natureza – Olimpíada de Restauração de Ecossistemas, da WWF-Brasil, realizado pela associação Quero na Escola. “Foi uma experiência incrível, queria que todo mundo tivesse a oportunidade de participar pelo menos uma vez”, diz Giovanna D’Oliveira Gonçalves, integrante do grupo Sabiá-Barranco.

Ela participou da olimpíada com outros três estudantes de 8º e 9º ano do Ensino Fundamental: Davi Barros Santos Paiva Dias, Lucas Eduardo Lira dos Santos e Valentina de Ramalho e Mendonça, são os integrantes do Sabiá-Barranco do cmdpii, que foram orientados pelo professor Herdson Renney de Sousa. O nome do grupo refere-se a um pássaro que atua como dispersor de sementes no Cerrado.

O projeto se destacou aos olhos da Comissão Julgadora pelo diagnóstico caprichado, forte articulação com órgãos públicos e pela ativa mobilização de outros estudantes da escola e da comunidade local. O grupo escolheu fazer ações de restauração no Parque dos Pássaros, que fica próximo à escola e está degradado e sem estrutura para aproveitamento da população.  

O grupo Sabiá-Barranco ficou entre os vencedores, mas atuou juntamente com outro grupo da escola, o Saí Azul do cmdpii, formado por Anny Rodrigues Morais, João Akira Gimenes Toyama, Marjorie Nunes Naves e Thaís Silva Kurokawa. O professor Michel Aquino de Souza, que coordenou o Saí Azul, foi quem trouxe para a escola a ideia de participar da Restaura Natureza 2022 e de restaurar o Parque dos Pássaros. “Essa olimpíada é muito bacana porque traz uma boa oportunidade de aplicar conhecimentos teóricos em situações práticas e com significado. O impacto a longo prazo é relevante”, disse o professor Michel.

Na primeira fase, os estudantes começaram a fazer os quizzes individualmente, mas perceberam que era melhor discutir as questões em grupo e refazê-los até conseguir uma pontuação melhor. “Fizemos encontros para resolver juntos os quizzes. Acabou que todo mundo se ajudou”, diz a estudante Giovanna. Para ela, o tema mais desafiador da primeira fase foi “Povos Originários”, assunto que ela desconhecia. 

A oportunidade de refazer o quizz para conseguir uma melhor pontuação contribui no aprendizado do tema, observou o professor Renney de Sousa. “Isso incentivou os estudantes a pesquisarem mais sobre o assunto”, disse.

Na segunda fase, o trabalho começou com reuniões online das turmas para estudar estratégias para atuar na restauração do parque. Depois, foram pessoalmente ao local para fazer o diagnóstico. Perceberam que o solo estava sem vegetação e compactado, com presença de algumas mudas de plantas nativas com dificuldade de crescer – e muitas espécies invasoras. Identificaram também um vazamento de esgoto e descarte de lixo clandestino. Também notaram que havia pessoas em situação de rua no parque. “Pensamos: o que é possível fazer dentro das condições que temos? Como vamos aplicar os conceitos que aprendemos?”, indagou o estudante Lucas.

Os grupos prepararam um plano de ação para restauração do Parque dos Pássaros, que foi entregue à Administração do Plano Piloto. Os problemas identificados no parque pelos estudantes foram denunciados aos órgãos competentes, por meio das ouvidorias dos seguintes órgãos e empresas: Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB), Secretaria de Assistência Social, Câmara Legislativa do Distrito Federal, Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e Administrações regionais. Também realizaram uma arrecadação de alimentos para doar às pessoas que estavam vivendo no parque. “Isso não estava nos planos iniciais, mas percebemos que era essa parte social fazia sentido no projeto”, disse João Akira, do grupo Saí-Azul.

Os estudantes e professores perceberam que as mudas que já tinham sido plantadas anteriormente como compensação florestal no parque estavam sendo mortas ou agredidas pelas roçadeiras. O grupo resolveu, então, preparar um folder com informações para proteger essas mudas. Também coletaram garrafas PET para proteger as 300 mudas que já estavam no local. 

No Parque dos Pássaros, os estudantes conheceram Messias Pawiri, indígena Xavante da instituição Portal do Xingu. “Ele aceitou nosso convite para dar uma palestra sobre seus hábitos de vida para os alunos do 7° ano do colégio”, conta o estudante João Akira. Gostei de conhecer sobre os rituais e a produção de artesanato indígena”, exemplifica a aluna Giovanna.

Os estudantes coletaram sementes de espécies nativas do Cerrado – araticum, sucupira e aroeira-pimenteira –  e semearam no parque, para que nasçam na época de chuva.Os grupos solicitaram autorização à coordenação do parque para realizar o plantio de mudas, mas obtiveram a liberação para a ação um dia antes da finalização da segunda fase da olimpíada. “A autorização para plantio no parque foi o maior desafio que enfrentamos”, afirma João Akira. “Fomos várias vezes à administração, pedir a autorização, explicar o que iríamos fazer. Foi um obstáculo”

Os integrantes dos grupos Sabiá-Barranco e Saí Azul organizaram oficinas para cerca de 200 estudantes da 7ª série. Em visita a campo, os participantes da olimpíada se organizaram em duplas para dar aulas aos estudantes mais novos, sobre o controle de espécies invasoras, degradação do solo, proteção de mudas e características do Cerrado. “Foi um aprendizado tanto para nós quanto para eles, uma experiência muito interessante de ensinar outros alunos. Adorei participar da ação, é um aprendizado para toda a vida”, disse a estudante Anny, do Sabiá-Barranco. Outro integrante do grupo, Lucas dos Santos, disse que gostou muito de envolver os estudantes do 7º ano, com os quais criou vínculos e amizade. “Foi legal passar a mensagem da importância da restauração para eles. Foi como plantar uma semente para o futuro.”

O estudante João Akira, do Saí-Azul, afirma que já participou de diversas olimpíadas, mas se surpreendeu com a Restaura Natureza. “É uma olimpíada inovadora, que foge do padrão de prova, prova e prova. Nos leva a botar a mão na massa para fazer uma mudança real”, disse. Toda vez que passa perto do Parque dos Pássaros, ele lembra da ação que considerou marcante em sua vida. “Sempre incentivo outros estudantes a participarem.”

Lucas acredita que a experiência de participar da Restaura Natureza é um aprendizado para a vida toda. “Significou muito para mim. Ao nos levar para fora da sala de aula, a olimpíada nos fez pensar no mundo inteiro. Isso é muito legal.” Para Anny, a olimpíada ajudou a despertar a consciência para a importância de cuidar do meio ambiente, além de trazer conhecimento e novas amizades. “Me fez acordar para a questão da poluição, da preservação dos biomas. Percebi que era importante fazer algo agora para ter um bom futuro”, disse.

Na visão do professor orientador do grupo Sabiá-Barranco, Herdson Renney, cuidar da natureza é o desafio mais importante dos nossos tempos. “Essa é uma responsabilidade de todos os seres humanos. E com a olimpíada despertamos os estudantes para essa cultura do cuidado com a natureza”, disse. O professor Michel, responsável pelo grupo Saí-Azul, percebeu que a Restaura Natureza não só forma a consciência de cuidar do meio ambiente, mas impulsiona ações possíveis e simples, mas que fazem a diferença. “A maioria dos projetos escolares não seria realizada se não fossem incentivados por meio da olimpíada. Fomentar ações para que a restauração aconteça tem um grande valor”, reconhece. 

Saiba mais sobre os grupos Sabiá-Barranco do cmdpii e Saí-Azul do cmdpii

GRUPO SABIÁ-BARRANCO

Colégio Militar Dom Pedro II, de Brasília (DF) 

Projeto: ação restauradora no Parque dos Pássaros

Professor responsável: Herdson Renney de Sousa

Estudantes integrantes:

  • Giovanna D’Oliveira Gonçalves
  • Lucas Eduardo Lira Dos Santos
  • Valentina de Ramalho e Mendonça
  • Davi Barros Santos Paiva Dias

Instagram: @sabia.barranco

GRUPO SAÍ AZUL

Colégio Militar Dom Pedro II, de Brasília (DF) 

Professor responsável: Michel Aquino de Souza

Estudantes integrantes:

  • Anny Rodrigues Morais
  • João Akira Gimenes Toyama
  • Thaís Silva Kurokawa
  • Marjorie Nunes Naves

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