Estudantes de São Carlos restauram áreas de Cerrado


22 de outubro de 2022

O grupo Cerrado do Aduar!, da Escola Estadual Professor Aduar Kemell Dibo, em São Carlos (SP), realizou o plantio de 103 mudas de 25 espécies do bioma Cerrado, em uma área de mais de 200 metros quadrados, e ficou em 3º lugar na categoria Comissão Julgadora da 1ª Restaura Natureza – Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas, competição colaborativa escolar realizada pelo WWF-Brasil e organizada pela Quero na Escola.

O grupo Cerrado do Aduar!, de São Carlos, restaurou três áreas com espécies do Cerrado. Foto: arquivo pessoal

Esther Silva Cardoso Amaral, Guilherme Dos Santos Silverio, Manuella Maria de Souza Muller, Mariana Nabila Araujo Santos e Ramily da Silva Pantoja são os estudantes que integram o grupo Cerrado do Aduar!. “Nos inscrevemos na última hora e não imaginávamos que chegaríamos tão longe. Foi gratificante ficar entre os vencedores da olimpíada”, disse Manuella. Para ela, o mérito não é somente dos integrantes do grupo, mas de toda a escola, que participou ativamente dos três projetos que se inscreveram na Restaura Natureza 2022. “Conseguimos essa vitória graças ao nosso trabalho coletivo, à união da nossa escola”, comemora Esther. Na escola, 77 estudantes contribuíram com este projeto.

O grupo Cerrado do Aduar! se destacou entre mais de 200 grupos participantes da Restaura Natureza 2022 por conta do visível conhecimento dos estudantes do bioma Cerrado, do forte engajamento de outros estudantes e pelo bom desempenho na primeira fase da olimpíada. “A colaboração entre os alunos impulsionou o grupo”, comenta Cinthia Rodrigues, cofundadora da Quero na Escola, associação sem fins lucrativos voltada à educação, realizadora da 1ª edição da Restaura Natureza.

Na primeira fase, o grupo fez uma pontuação alta. ”Respondemos os quizzes em conjunto. Para que todos se apropriassem do conteúdo, fizemos a leitura juntos”, afirma a professora responsável pelo Cerrado do Aduar!, Catia Cristina Teodoro.

Na segunda fase, o grupo decidiu restaurar áreas dentro da própria escola. Um dos terrenos virou um pomar. Os integrantes fizeram uma pesquisa, em livros e na internet, para saber quais eram as espécies de plantas frutíferas do Cerrado. Foram compradas 25 mudas em um viveiro na cidade de Ibaté (SP), que foram plantadas com ajuda de estudantes das duas turmas de 9º ano da escola.

Os estudantes também fizeram plantios em outras duas áreas da escola: ao lado da cantina e perto da quadra. Desta vez, saíram a campo para tentar buscar mudas na natureza, mas tiveram dificuldade. “Percebemos que as áreas de Cerrado tinham virado pasto”, conta Esther. Recorreram novamente à compra de mudas no viveiro – com um superdesconto no preço –  e plantaram 78 mudas, com ajuda de uma turma do 8º ano da escola.

O processo de plantio não foi tão simples quanto parecia. No espaço da quadra foi preciso realizar uma técnica de terraceamento, já que a inclinação era grande. Um dos imprevistos foi o rompimento de um cano de água, que causou o vazamento. Apesar do transtorno, a diretoria entendeu que o acidente fazia parte do processo de aprendizagem, afirma a professora Catia. “As formigas e lagartas foram outra dificuldade, pois elas comeram algumas de nossas mudas”, acrescenta o estudante Guilherme. Para combater o problema, o grupo optou por soluções orgânicas, para evitar o uso de agrotóxicos.

Apesar do projeto ter sido trabalhoso, a estudante Manuella afirma que adquiriu conhecimento de forma leve e prazerosa. “Aprendi muitas coisas, inclusive que o Cerrado não é só mato.” Para Ester, a olimpíada da restauração é menos cansativa se comparada às de outras disciplinas. “As outras são mais teóricas, essa é mais mão na massa.”

Além de contarem com a ajuda de outros estudantes da escola, o grupo Cerrado do Aduar! teve apoio de suas famílias, que se envolveram com o projeto e doaram recursos, como adubo. “Minha família gosta de cultivar plantas. Aprendi muito com meus tios, que me ensinaram algumas técnicas”, diz Manuella.

A Diretoria de Ensino da região de São Carlos, que incentivou as escolas da cidade a participar da Restaura Natureza, ficou entusiasmada com o projeto do grupo Cerrado do Aduar! e solicitou à professora Catia que fosse desenvolvida uma cartilha para que outras escolas da região replicassem as áreas de restauração. “Estamos agora produzindo essa cartilha, que será ilustrada pelos próprios alunos. Os integrantes desse grupo são líderes, que disseminam conhecimento para outros estudantes”, diz Catia. Outro reflexo da olimpíada foi a doação da prefeitura de São Carlos de um terreno baldio para a escola, para um novo projeto de restauração florestal. “Vamos plantar espécies do Cerrado e plantas medicinais”, planeja a professora..

O grupo já está animado para participar da próxima edição da Restaura Natureza. Depois da primeira experiência, se sentem mais unidos e informados. “Aprendi técnicas de plantio, como misturar espécies diferentes”, disse a estudante Ramily da Silva Pantoja. Em 2023, o grupo acredita que o número de estudantes da escola inscritos na olimpíada irá crescer. “Alguns alunos ficaram até bravos de terem ficado de fora. Com certeza, vão querer participar da próxima”, aposta Esther.

Saiba mais sobre o grupo Cerrado do Aduar! :

Projeto: Pomar do Cerrado – Plantando vida

Professora responsável: Catia Cristina Teodoro

  • Esther Silva Cardoso Amaral
  • Ramily da Silva Pantoja
  • Manuella Maria de Souza Muller
  • Mariana Nabila Araujo Santos
  • Guilherme Dos Santos Silverio

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