Plano de ação 09 -Cosmologia indígena: o que ele tem que eu não tenho?

Foto: Shutterstock/ Laszlo Mates

Cosmologia indígena: o que ele tem que eu não tenho?

PA 9 – Cosmologia indígena e conservação

Tema formativo – Povos originários / Conservar

Título: Cosmologia indígena: o que ele tem que eu não tenho?

Desafios: 

  1. Compreender a cosmologia indígena e seu papel na conservação de florestas e demais ecossistemas
  2. Conhecer o potencial econômico das florestas em pé, da exploração de recursos não madeireiros
  3. Valorizar e difundir conhecimentos e a cosmologia indígena em diversos segmentos da sociedade brasileira

Contexto: Um imenso reducionismo foi propagado entre a população que migrou para a Amazônia a partir dos anos de 1960, quando o governo brasileiro sob o regime militar, que durou até 1985, estimulou a ocupação da região Norte, tida como desabitada. Foi a “febre do ouro” para milhares de nordestinos em garimpos como a famosa Serra Pelada. Foi o acesso fácil e barato a terras para agricultores sulistas e paulistas fazerem riqueza fora de suas regiões de origem, já bem ocupadas e dinâmicas. O encontro dessas duas massas populacionais ávidas por riqueza e “desenvolvimento” encontrou nas populações indígenas um forte contraponto ético. Os povos originários se opuseram ao modelo desenvolvimentista adotado pelo Estado brasileiro e defendido pelos recém chegados. O contato intercultural produziu um imenso derramamento de sangue indígena. Com o tempo, a imagem de um nativo preguiçoso e indolente, contrário ao desenvolvimento, passou a marcar o imaginário local, criando um cenário para constantes abusos e conflitos. Seria mesmo o nativo contrário ao desenvolvimento? Ou simplesmente contrário ao modelo que suprime a floresta para exaurir o solo de seus recursos e exportar suas riquezas sem benefício às populações locais? 

Se verificarmos o que ocorreu após as medidas de ocupação da região, vemos grandes massas pobres nas periferias das cidades, imensas áreas desmatadas sobretudo nas áreas que margeiam as rodovias e, analisando o resultado do avanço da fronteira agrícola, verificamos que as grandes áreas florestadas do arco sul, sudeste e leste da Amazônia Legal são as reservas ou terras indígenas demarcadas sobretudo das décadas de 1990 e 2000. Mas o que explica a resistência indígina ao modelo de desenvolvimento capitalista e a insistência na proteção da floresta? Que benefícios podemos tirar da floresta em pé? 

Para realizar o desafio é importante entender sobre 

  • Diferentes ideias sobre desenvolvimento humano e como alcançá-lo
  • Cosmologias indígenas e modo de vida
  • Diversidade e distribuição dos povos indígenas no Brasil antes de 1500
  • cosmologia indígena, ambiente e modo de vida
  • Serviços ecossistêmicos e ambientais de escala regional, continental e global 
  • Demarcação de terras indígenas e conservação

Atividade sugerida

Campanha para valorizar a cosmologia indígena e questionar o modelo de desenvolvimento dominante

Etapas: 

  1. Pesquise sobre as cosmologias indígenas
  2. Leia e siga publicações de organizações indígenas, influencers indígenas e iniciativas que divulguem notícias e os valores defendidos pelos povos originários. Há diversos representantes indígenas eleitos nas esferas municipais, estaduais e federal.
  3. Identifique as ideias e valores mais importantes defendidos por esses povos quanto à:
  • Modelos de desenvolvimento
  • O que é a natureza e sua importância
  • Luta por demarcação e resistência cultural
  • Importância das demarcações
  • Contribuição desses povos para a conservação da natureza
  1. Planeje e execute uma campanha de divulgação desses conhecimentos, ideias e valores. 
    1. Crie um perfil para essa ação na rede social de seu interesse, dê preferência às mais populares entre a tua geração e grupo de interesse  (tiktok, instagram, etc).
    2. Pesquise nesta e em outras redes sociais por artistas, influencers e lideranças indígenas. 
    3. Faça contato com eles e pergunte de que forma você pode contribuir na causa indígena. Escute e aprenda com eles. Proponha parceria para ampliar o alcance das demandas dos povos originários.
    4. Com base em seus estudos e nas conversas com essas pessoas produza conteúdo (até mesmo parceria com elas)
    5. Crie hashtags para sua campanha e use as hashtags das Olimpíadas de Restauração para alcançar o maior número de pessoas

Sugestões de entrega:

  • Documento que contenha todos os passos da atividade, desde sua concepção até a execução da ação midiática
  • Relatório de postagens, alcance e engajamento alcançado nas redes sociais 
  • Compartilhamento do perfil com todas as ações realizadas no período da atividade. Não perca tempo. Comece a mobilizar sua rede desde o começo das ações.

Fontes para pesquisar e inspirar

Terras indígenas e conservação – https://www.wwf.org.br/?42285/Unidades-de-conservao-e-Terras-Indgenas-na-Amaznia–uma-rede-de-segurana-para-a-biodiversidade-e-os-seres-humanos#:~:text=As%20%C3%A1reas%20naturais%20que%20est%C3%A3o,tamb%C3%A9m%20para%20os%20seres%20humanos.

Filme Xingu dos irmãos Villas Boas 

Ailton Krenak fala sobre a cultura indígena – https://www.youtube.com/watch?v=LEw7n-v6gZA

Instituto Socioambiental reúne publicações e notícias sobre povos indígenas e comunidades tradicionais – https://www.socioambiental.org/pt-br

Radio Yandê – https://www.instagram.com/radioyande/?hl=pt-br

Documentário Falas da Terra – https://globoplay.globo.com/falas-da-terra/t/csJKrFq2qh/

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